O cinema brasileiro pode enfrentar um novo período de instabilidade caso Flávio Bolsonaro vença a eleição presidencial de 2026, segundo avaliação publicada pela Variety. A preocupação foi discutida por profissionais do audiovisual durante o Festival do Rio, que apontaram a continuidade das políticas públicas de incentivo como um dos principais fatores para a atual recuperação do setor.
A reportagem da publicação norte-americana acompanha o cenário do cinema nacional em meio à disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Durante o RioMarket, realizado dentro do Festival do Rio, cineastas e representantes da indústria discutiram os possíveis impactos do resultado das urnas sobre a produção cinematográfica brasileira.
A preocupação ocorre em um período de maior reconhecimento internacional para o cinema nacional. A Variety destaca o desempenho de Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, e de O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, que recebeu dois prêmios no Festival de Cannes no mesmo ano.
Segundo a publicação, profissionais do setor associam parte desse momento à retomada de políticas públicas de financiamento e incentivo ao audiovisual durante o governo Lula. A indústria cinematográfica brasileira passou a contar novamente com mecanismos de fomento e investimentos que haviam sido reduzidos nos anos anteriores.
Entre as medidas citadas está o planejamento de R$ 1,6 bilhão em investimentos no setor, além de mecanismos como incentivos fiscais e políticas de proteção ao cinema nacional.
A possibilidade de uma mudança de governo é vista com preocupação por parte dos profissionais ouvidos pela Variety. O receio está relacionado principalmente à possibilidade de uma nova política de austeridade para o setor cultural, semelhante à adotada durante o governo de Jair Bolsonaro.
A reportagem relembra que, naquele período, os orçamentos da Ancine e do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) sofreram cortes de 43%, enquanto recursos destinados ao setor ficaram congelados.
Para representantes da indústria, uma eventual interrupção dos mecanismos de financiamento poderia afetar diretamente a produção de filmes brasileiros, especialmente projetos independentes que dependem de recursos públicos para sair do papel.
A discussão aconteceu durante a programação do Festival do Rio, que reúne profissionais, produtores e realizadores brasileiros e internacionais. A diretora do festival, Ilda Santiago, destacou o papel do cinema como ferramenta diplomática e defendeu a existência de políticas públicas capazes de manter uma indústria audiovisual estruturada.
O debate ocorre justamente durante uma edição do festival marcada pela presença de produções brasileiras em um momento de destaque internacional. O Festival do Rio 2026 acontece entre 1º e 11 de outubro, com dezenas de produções nacionais na programação.