The Mandalorian chegou ao Disney+ como uma explosão em 2019. O sucesso da série não só abriu um novo caminho para Star Wars no streaming, como também ajudou a abafar a recepção conturbada de Ascensão Skywalker (2019). Depois do impacto da primeira temporada, veio uma segunda temporada espetacular, recheada de momentos que marcaram a franquia para sempre e que praticamente encerravam o principal arco da série.
Mas a Disney não podia deixar essa fonte de dinheiro acabar ali. Então recebemos uma terceira temporada desconjuntada, trazendo personagens que já haviam cumprido seu papel na história, mas que ainda conseguia ser interessante graças a uma trama geral diretamente conectada aos eventos principais de Star Wars.
Então, o que O Mandaloriano e Grogu tem a dizer?
Din Djarin (Pedro Pascal) e Grogu agora trabalham como uma espécie de caçadores de recompensa oficiais da Nova República, perseguindo remanescentes imperiais pela galáxia. O Mandaloriano é forçado a negociar com os Hutts representando a Nova República em uma jornada para encontrar um terrível comandante imperial que atua nas sombras.

O Mandaloriano e Grogu chegou aos cinemas em 21 de maio de 2026, com produção da Lucasfilm e distribuição da Walt Disney Pictures. A direção fica nas mãos de Jon Favreau, principal showrunner da série, enquanto o roteiro é assinado por Dave Filoni e Noah Kloor. O filme entrega exatamente aquilo que o público médio de The Mandalorian gosta: ação, momentos fofos, cenas leves e engraçadas.
Jon Favreau faz seu trabalho de forma competente, como costuma acontecer na maioria de seus filmes. É um diretor versátil, que entende bem o tipo de história que está contando e consegue executar isso com eficiência. Algumas cenas são visualmente lindas e definem a ambientação dos planetas de forma muito palpável.
Dá para sentir que aqueles locais, naves e criaturas realmente existem, mérito não só da direção, mas também do excelente trabalho da equipe de efeitos visuais e do uso de animatrônicos e stop motion em diversas cenas.
O roteiro, como um todo, é simples e até mais pastelão do que a própria série do Disney+. Em vários momentos, minha sensação era a de estar assistindo a filmes antigos de James Bond ou Indiana Jones com vilões caricatos e motivações simples. Tudo isso misturado com um humor bobinho, no bom sentido, daquele tipo que crianças adoram.

Consigo ver nesse filme tudo que o George Lucas sempre gostou em Star Wars: fazer algo voltado também para crianças, algo pelo qual ele foi bastante criticado quando tentava inserir esse tom em histórias mais sérias da franquia. A diferença é que, aqui, esses artifícios combinam muito melhor com a proposta. Como o filme inteiro é mais leve e despretensioso, esse estilo encaixa como uma luva.
Filme ou série?
É evidente que esse roteiro não foi pensado originalmente para funcionar como um filme. Claramente, essa é a quarta temporada da série espremida em formato de longa. A sensação é a de assistir uma temporada inteira em maratona.
Os arcos episódicos são muito claros na estrutura da narrativa, e isso afeta diretamente o ritmo do filme, que acaba cheio de barrigas equivalentes àqueles momentos mais calmos e espaçados que funcionam bem em série, mas que no cinema deixam a experiência arrastada em alguns trechos.
Também sinto que algum grande plot relacionado ao Império, algo que sempre esteve presente nas temporadas anteriores, provavelmente foi cortado para adaptar a história ao formato de filme. Com isso, o que aparenta ser o principal conflito do longa acaba sendo resolvido e descartado rapidamente. O foco é totalmente a aventura do momento, sem grandes consequências para o futuro ou para o universo de Star Wars como um todo.

Fico triste ao perceber que muitos dos desenvolvimentos da série acabam sendo desfeitos para manter os personagens exatamente no mesmo ponto de onde surgiram, quase como uma série procedural em que, no fim de cada episódio, tudo volta ao normal.
Eu entendo que essa é uma forma de tornar a produção acessível tanto para quem assistiu apenas ao primeiro episódio quanto para quem acompanha tudo de Star Wars. Mas é impossível ignorar que o enorme sucesso comercial da série acabou engolindo parte do seu propósito original.
Por isso, acredito que esse arco geral não faria tanto sucesso entre os fãs como uma temporada da série, justamente por ser uma aventura isolada e despretensiosa. Mas será que, transformado em filme, isso realmente muda alguma coisa?

No fim, continua sendo uma aventura divertida e carismática. Funciona, entretém e entrega bons momentos, mas talvez funcionasse melhor sendo acompanhada em episódios.
O que The Mandalorian realmente precisa agora é encontrar um novo propósito, um novo objetivo final. Os personagens já parecem muito bem estabelecidos em seus “finais felizes”, e a sensação é de que a história continua apenas porque precisa continuar.
Ou então a opção que exigiria mais coragem da Disney: encerrar a série e seguir em frente com novas histórias dentro de Star Wars. O Mandaloriano sempre pode voltar no futuro, quando realmente existir uma nova grande aventura para contar.