A disputa entre Manas, de Marianna Brennand, e O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, ganhou novos capítulos após o resultado do Prêmio Grande Otelo 2026. Os dois filmes dividiram o principal prêmio da noite, o de Melhor Longa-Metragem Ficção, decisão que provocou debates nas redes sociais e uma manifestação do diretor de O Agente Secreto sobre a condução da premiação.
A cerimônia, realizada na última terça-feira (4), no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, premiou as duas produções após uma disputa que já vinha movimentando o cinema brasileiro. Antes do evento, O Agente Secreto era apontado como um dos grandes favoritos da temporada: o longa liderava as indicações do Grande Otelo, com 18 nomeações, além de acumular reconhecimento internacional, incluindo prêmios no Festival de Cannes.
Já Manas, dirigido por Marianna Brennand, ganhou força durante a corrida de premiações e passou a ser considerado um dos principais concorrentes da produção de Kleber Mendonça Filho. O filme recebeu apoio de nomes do cinema nacional e internacional, aumentando a discussão sobre qual obra deveria representar o Brasil em disputas internacionais.
Após o resultado do Grande Otelo, Kleber Mendonça Filho afirmou que houve uma tentativa de boicote contra O Agente Secreto durante a premiação. Segundo o cineasta, a situação estaria relacionada a uma resistência de parte da Academia Brasileira de Cinema em relação ao longa.
A declaração gerou repercussão por envolver uma das principais discussões do cinema nacional recente: a disputa entre diferentes regiões, grupos e visões dentro da indústria audiovisual brasileira. O diretor também criticou o que chamou de desequilíbrio na representação dentro da Academia e afirmou que existe um “ar sudestino” que precisa ser discutido.
“[…] Há um ar forte sudestino que a gente precisa dissipar um pouco na Academia Brasileira de Cinema.” — Kleber Mendonça Filho no palco do #PrêmioGrandeOtelo 2026. 🇧🇷 pic.twitter.com/nlj356uArz
— screencaps (@screenscaps) August 5, 2026
O empate entre os filmes dividiu opiniões entre o público. Enquanto parte dos internautas comemorou o reconhecimento de Manas, destacando a importância da obra de Marianna Brennand, outros defenderam O Agente Secreto como o representante mais forte do Brasil no cenário internacional.
A rivalidade entre os dois filmes também já havia sido tema de debates durante a escolha brasileira para o Oscar. Na ocasião, as produções eram apontadas como favoritas para disputar a indicação nacional ao prêmio de Melhor Filme Internacional, movimentando discussões sobre estratégia de campanha, alcance internacional e critérios de escolha da Academia Brasileira de Cinema.
O resultado do Grande Otelo colocou novamente em debate não apenas a qualidade das produções, mas também os caminhos e critérios utilizados para reconhecer e divulgar o cinema nacional.