Imagen: Reprodução | Marvel

Zumbis Marvel acerta onde o MCU vem falhando

Minissérie animada aposta em horror, niilismo e coerência dentro do multiverso, e mostra que ainda há vida (e morte) criativa no universo Marvel

03/10/2025 às 15:43

Zumbis Marvel é, assim como a HQ que adapta, a junção de dois gêneros que se tornaram muito populares nos anos 2010: o de super-herói e o de apocalipse zumbi. Agora lançada como uma minissérie animada em quatro partes no Disney+, com a mesma técnica de What If… e o habitual elenco de vozes do MCU, resta saber se essa extensão de um dos episódios da antologia, que durou três temporadas e explorava diferentes terras paralelas, realmente vale a pena. Principalmente em um momento em que, em tudo o que a Marvel lança, é impossível ignorar a fadiga causada pela promessa constante de boas histórias não cumpridas, algo que afeta especialmente suas séries, mais do que os filmes.

Imagem: Reprodução | Disney+

A proposta aqui é misturar o terror de um subgênero com a ação e aventura do outro, nesse sentido, a história praticamente se desenvolve sozinha. Usando o carisma natural dos personagens da Marvel, e aqui vale destacar que isso se aplica não apenas aos super-heróis, mas também a coadjuvantes e vilões, o clássico tropo do grupo de sobreviventes em busca de um objetivo funciona bem. E, claro, a cada novo local alcançado após sobreviverem a hordas de zumbis, alguém inevitavelmente fica para trás. É aí que se constrói uma das principais questões de Zumbis Marvel: como o MCU, como um todo, é integrado à jornada.

Afinal, tirando o estalo do Thanos, é raro vermos uma ameaça que atinja todos, em todos os lugares, ao mesmo tempo. E uma das frustrações mais recorrentes, especialmente a partir da Fase 4, é o fato de que grandes ameaças surgem, mas só afetam o herói daquele filme ou série, quando logicamente deveriam ter repercussões mais amplas. Isso não acontece em Zumbis Marvel. Os sobreviventes interagem com personagens, locais e conceitos de todas as fases, tornando as lutas pela sobrevivência mais orgânicas. O resultado é uma versão do MCU envolvente, onde nada parece isolado.

Imagem: Reprodução | Disney+

Mesmo quando a série recorre ao clichê de matar personagens de forma repentina apenas pelo choque, esse recurso surte efeito , graças ao cuidado com a construção emocional. Quando vemos personagens sem superpoderes avançando em pontos da jornada onde heróis e vilões falharam, passamos a nos importar com eles de maneira mais sólida, e o que acontece depois é, de fato, impactante. Isso vale tanto para os que morrem quanto para aqueles que sobrevivem e assistem à queda de pessoas queridas.

Mas talvez o maior acerto de Zumbis Marvel esteja na consciência de seu próprio tom. Algo raro nas produções da Marvel, esta minissérie não utiliza a violência gráfica e a classificação indicativa para maiores apenas como chamariz. Na verdade, a violência tem impacto limitado quando comparada ao mergulho total dos realizadores no horror. Não exatamente com o objetivo de assustar ou chocar, mas sim de contar uma história de super-heróis profundamente niilista, em que os personagens lutam desesperadamente por algo que, aos poucos, se revela uma ilusão. A quantidade de derrotas sofridas para conquistar pequenas vitórias é notável. Há uma crescente sensação de que os sobreviventes se agarram a propósitos inventados para justificar suas perdas e seguir em frente. Mas, com o tempo, parece haver cada vez menos pelo que lutar. Desta vez, não há mais mundo a ser salvo.

Iman Vellani assume o protagonismo da série com sua habitual combinação de entrega sincera e carisma, perceptível mesmo apenas pela voz. Em muitos momentos, isso basta para nos distrair do fato de que sua versão animada pouco lembra a atriz. Esse é um problema recorrente nas animações da Marvel com essa técnica, em que o vale da estranheza impera. Atores como Simu Liu, Mahershala Ali, Awkwafina e Randall Park são reconhecíveis em seus “avatares animados”, mas outros, como Paul Rudd, Florence Pugh, Tessa Thompson e vários mais, estão praticamente irreconhecíveis.

Imagem: Reprodução | Disney+

Quanto à grande vilã, a Feiticeira Escarlate de Elizabeth Olsen se mostra um estranho (e bem-vindo) acerto. A série aproveita as complexas questões psicológicas da personagem, já exploradas em WandaVision, para subverter a ideia de salvação dentro de uma narrativa com esse tom sombrio. A cena final é especialmente interessante por sintetizar horror e propósito, brincando com ambas as ideias assim como Wanda brinca com a realidade.

Zumbis Marvel é um divertimento sólido e um ponto positivo na grande saga do estúdio, sobretudo porque não tem medo de explorar temas mais densos. Após anos de Marvel banalizando ameaças com um humor constante e forçado, a ousadia dos roteiristas ao levar esses mesmos heróis a extremos dramáticos é seu maior mérito. Talvez seja por isso que Zumbis Marvel funcione, assim como X-Men ’97, Quarteto Fantástico – Primeiros Passos e Loki, pois o artifício do multiverso agora serve como uma fuga da bagunça em que o universo principal se transformou.

Nota: 3/5

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